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Histórico

Publicado: Domingo, 27 de Agosto de 2017, 00h03 | Última atualização em Terça, 19 de Setembro de 2017, 14h42 | Acessos: 1086

                                          74º ANIVERSÁRIO DO 12° REGIMENTO DE CAVALARIA MECANIZADO

A história do nosso Regimento tem início nos idos da Segunda Guerra Mundial. Naquele tempo, preocupava os militares brasileiros a defasagem tecnológica que nos separava das nações mais desenvolvidas. Em 1938, deu-se importante passo com a criação do Esquadrão de Auto-Metralhadoras, primeira organização militar mecanizada do nosso Exército, visando à preparação de recursos humanos para operar equipamentos blindados modernos. Em 1942, criou-se a Escola de Motomecanização.

Com a entrada do Brasil na Grande Guerra, firmaram-se acordos com os Estados Unidos que resultariam no recebimento de material bélico moderno. Isso ensejou a formação de um Grupamento Motomecanizado provisório. Enfim, por meio do Decreto-Lei nº 5.171, de 6 de janeiro de 1943, criou-se, no Rio de Janeiro, no quartel da Escola de Motomecanização, a nossa unidade, então denominada 2º Regimento de Auto-Metralhadoras de Cavalaria, que deveria ter sede em Uruguaiana e permaneceria aquartelada até segunda ordem na Escola das Armas, atual Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais. No mês seguinte, passou a denominar-se 2º Regimento Motomecanizado.

Nosso efetivo inicial foi composto por 11 oficiais e 90 praças. 101 militares encarregados de manter e operar 115 viaturas, dentre elas, 13 blindados Scout Car. Três dessas praças foram recrutadas no 13º Regimento de Cavalaria Independente, então sediado em Jaguarão: o Cabo Adão das Neves, que foi expedicionário na Itália, e os Soldados Delcino Corrêa de Ávila e Amarante Rodrigues. O primeiro Comandante foi o Major Hélio de Castro, que hoje dá nome ao nosso pátio de formaturas. Os trabalhos tiveram início no dia 1º de março, data do primeiro boletim interno. Nele, o Comandante exortou seus subordinados a estarem prontos aos desafios do porvir, no estado de beligerância que se vivia.

Nas palavras do antigo Comandante do Doze, Coronel James Bolfoni da Cunha, em seu livro “Jaguarão e os militares – dois séculos na fronteira”, que baseou este texto, “o Doze foi à Guerra”. Em Janeiro 44, no contexto da formação da 1ª Divisão de Infantaria da Força Expedicionária Brasileira, os militares do 3º Esquadrão de Reconhecimento e Descoberta do Regimento passaram a integrar o recém-criado 1º Esquadrão de Reconhecimento, tropa de Cavalaria que combateu na Itália. O seu 2º Pelotão embarcou com o 1º escalão da FEB, apenas 6 meses depois de receber a missão, em 30 de junho de 1944. Essa unidade é, hoje, o 1º Esquadrão de Cavalaria Leve, situado em Valença, no Rio de Janeiro. Quatro dos seus integrantes tombaram na guerra: o Tenente Amaro, o Sargento Krinski, o Cabo Benedito e o Soldado Bernardino.

Em maio de 1944, a futura sede do Regimento foi mudada para a guarnição do Alegrete. Logo depois, o Comandante, Tenente Coronel Inimá Siqueira, recebeu a ordem de deslocar a unidade para Porto Alegre. No dia 11 de junho, embarcaram nos navios Aratimbó, Itaberá e Itaguassu, para uma viagem por águas infestadas por submarinos alemães. Por isso, foram escoltados pelo Cruzador Bahia e pelas Corvetas Jaceguai e Cananéia. 5 dias depois, desembarcaram na capital gaúcha e alojaram-se no Matadouro Modelo, no bairro Serraria. O Regimento não seguiu para a fronteira oeste, permanecendo nessa sede por 44 anos.

Nesses anos, a Unidade recebeu diversas denominações. Em junho de 1946, tornou-se o 2º Regimento de Cavalaria Mecanizado e, em novembro de 1953, o 2º Regimento de Reconhecimento Mecanizado, subordinando-se ao “III Exército”, atual Comando Militar do Sul. Em julho de 1972, a Unidade recebeu sua denominação atual, passando à subordinação da 6ª Divisão de Exército.

Em 7 de junho de 1976, foi conferida ao Regimento a denominação histórica “Regimento Marechal José Pessoa”. No ato de concessão consta a justificativa pela escolha: “este Oficial foi um dos responsáveis pela introdução dos blindados no Brasil e o Doze, por sua vez, foi a primeira unidade mecanizada do Exército”. O Estandarte Histórico, o Distintivo de Braço e a Insígnia foram aprovados no ano seguinte. No final da década de 1970, os blindados M3 greyhound e scout car foram substituídos pelos blindados da família nacional ENGESA, que hoje nos dotam.

Em Agosto de 1986, definiu-se a transferência do Regimento de Porto Alegre para Jaguarão. A 1º de Janeiro de 1989, há 28 anos, o Doze iniciou suas atividades nesta cidade, substituindo o 8º Esquadrão de Cavalaria Mecanizado. O Comandante, então, era o Coronel Antônio Pereira de Holleben. Muitos dos militares que fizeram a mudança adotaram Jaguarão como sua morada definitiva. A 13 de fevereiro, incorporamos a primeira turma de recrutas selecionados nos municípios da região para a prestação do Serviço Militar.

Nos anos de 2004, 2011 e 2016, o Regimento participou da Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti, com pelotões de Fuzileiros Mecanizados. Na última missão em que participou, no ano passado, o 12 teve a honra de compor o Comando do Esquadrão de Fuzileiros e um dos seus 3 pelotões.

Em 2012, a Unidade participou, com um pelotão, do contingente da Força de Pacificação dos Complexos da Penha e do Alemão, na cidade do Rio de Janeiro. Em 2015, o Regimento novamente participou de uma operação dessa natureza: a Força de Pacificação do Complexo da Maré, também na capital fluminense.

Atualmente, o “12 de Jaguarão”, situando-se na porção Sul do torrão gaúcho, enche-nos de orgulho por pertencermos à unidade militar mais meridional do Brasil. É organizado, equipado e instruído para cumprir as missões clássicas da Cavalaria Mecanizada - o reconhecimento e a segurança. Possui 3 Esquadrões como peças de manobra e o Esquadrão de Comando e Apoio, que tem a missão de prover-lhe o apoio Logístico, de Comando e Controle e de Fogo. É subordinado ao Comando da 3ª Brigada de Cavalaria Mecanizada, sediada em Bagé.

Além das atribuições constitucionais dedefesa da Pátria, de garantia dos poderes constitucionais e da lei e da ordem, o Regimento participa de operações de paz, além de cooperar para o desenvolvimento nacional e para Defesa Civil. Para tanto, seguimos anualmente um cronograma de trabalho, que envolve diversas instruções e operações de preparo e de emprego. Exemplos dessas operações são: Ágata e Fronteira Sul, oportunidades em que trabalhamos junto à comunidade que nos acolhe, em toda nossa área de atuação, que também inclui os municípios de Arroio Grande e Herval.

É digno de destaque que Jaguarão, nossa guarnição, teve suas origens no acampamento militar - a Guarda do Cerrito e da Lagoa - que se instalou em 1802 a algumas centenas de metros deste pátio, próximo de onde hoje se situa a Igreja Matriz do Divino Espírito Santo e o “Largo das Bandeiras”. Nesta terra serviram: Antônio de Sampaio – patrono da arma de Infantaria – e Manoel Luís Osório – patrono da arma de Cavalaria. Aqui neste local estiveram aquartelados: o 33º Batalhão de Infantaria, o 13º Regimento de Cavalaria e o 8º Esquadrão de Cavalaria Mecanizado.

Por tudo isso, orgulhamo-nos de ser os herdeiros das tradições do Marechal José Pessoa, que, como diz a nossa canção, com seus feitos “deixou como legado a eficácia operacional do mecanizado”; orgulhamo-nos de ser a mais antiga unidade mecanizada do nosso Exército; orgulhamo-nos de ser a tropa da qual originou-se o Esquadrão febiano que escreveu páginas de glória na Itália; orgulhamo-nos de servir na histórica “Cidade Heroica” de Jaguarão, que teve suas origens no valor militar da região que a abriga, guarnição outrora comandada por vultos ilustres da História Militar brasileira.

 

Cel Cav Humberto Silveira de Almeida

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